sexta-feira, 13 de outubro de 2006

O Rapaz Pastor

Em tempos que já lá vão, um pequeno rapaz de cinco anos, chamado Anacleto, que vivia numa aldeia muito distante chamada Clóida, perdeu os pais num violento assalto que tinha decorrido na sua aldeia, atingindo a sua casa, mas do qual o rapaz saíra ileso. A partir daí, Anacleto teve de aprender a viver sozinho, já que ninguém da sua família queria ter mais uma pessoa para sustentar.
Para sobreviver, teve de ir para outra aldeia nos arredores, sempre acompanhado do seu fiel amigo e companheiro, o burro Soiet.
Num dos dias em que andava a pedir esmola, apareceu um homem bem vestido que vivia naquela aldeia, com ar simpático, teve pena dele e acolheu-o em sua casa. O rapaz ficou muito contente porque já tinha casa para onde ir. Logo de seguida, o homem e o rapaz apresentaram-se.
- Olá! Chamo-me Manuel e a minha casa é já ali ao fundo da rua.
- Chamo-me Anacleto e estou muito feliz por ter uma casa onde dormir e comer.
Anacleto acompanhou o seu amigo Manuel até sua casa, sempre com um brilho nos olhos, um brilho muito intenso de alegria. Naquela noite ambos estiveram a conversar até muito tarde, cada um deles queria saber tudo sobre o outro, e assim foi naquela noite.
Na manhã seguinte, Anacleto deixou-se dormir e Manuel foi à garagem, onde o burro tinha passado a noite, para lhe dar comida. Qual não foi o seu espanto quando o burro zurra e ele percebe o que ele diz, pois naquela aldeia, quando havia animais com este dote, as pessoas percebiam tudo o que eles diziam.
Deu-lhe comida e logo depois foi contar ao rapaz a sua descoberta. Anacleto ficou completamente espantado e o homem disse-lhe que se ele quisesse o ajudaria a conseguir ouvir e perceber os animais.
Nessa tarde, ele foi com o rapaz a casa de um amigo seu. Este seu amigo arranjou-lhe um copo com um líquido milagroso que o rapaz bebeu. Passadas umas horas, quando saíram de casa do amigo do Manuel, apareceu um pequeno cão vadio que começou a ladrar. Em seguida, Manuel perguntou ao rapaz se ele percebia o que o cão estava a dizer, e logo o rapaz começou a traduzir palavra por palavra o que o cão dizia.
A partir desse dia, o rapaz foi viajando por todas as aldeias possíveis, sem nunca ter pensado que ficar sem pai e mãe era o fim de uma vida, fazendo com que todas as pessoas pudessem saber traduzir tudo o que os animais diziam.
Passados uns anos Anacleto regressou àquela aldeia, e voltou a ver o senhor Manuel. Nessa altura, já o “rapaz”tinha mulher e filhos e algum dinheiro. Nesse dia falaram muito sobre todas as coisas que aconteceram, e ficaram ambos muito felizes por se voltarem a ver!

Carolina, Cristina, João Maria, João Macedo, João Raio e João Monteiro

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