sábado, 23 de setembro de 2006

O Monstro do Bosque

Numa aldeia rodeada de um bosque, corriam boatos sobre um monstro. Dizia-se que vivia no bosque e que aparecia de noite, para se alimentar das pessoas que por lá passassem. Algumas mães chegavam até a assustar os seus filhos, quando estes lhes desobedeciam, dizendo que o monstro do bosque vinha e que os levava. Mas para algumas pessoas aquilo não passava de um boato estúpido que só servia para assustar crianças.
Naquela aldeia, havia um senhor chamado António que era dono da mercearia onde as pessoas iam habitualmente comprar o essencial. Toda a gente gostava dele e achavam-no muito simpático.
Certa noite, o senhor António desapareceu sem deixar rasto. No dia seguinte, as pessoas, que diariamente iam à mercearia, comentavam umas com as outras a sua ausência.
- Onde estará o senhor António? Não era suposto ele estar aqui? - Perguntava uma senhora que ia lá todas as manhãs.
O senhor António continuava desaparecido. Algumas pessoas afirmavam que tinha sido o monstro, e que provavelmente ele já estaria morto. Outras não achavam piada nenhuma à história e acreditavam que ele devia estar doente em casa. Para tirar as dúvidas, decidiram ir a sua casa chamá-lo.
- Senhor António, está aí dentro? - No entanto ninguém respondia. Arrombaram a porta e revistaram a casa, porém ele não estava lá.
A história do monstro começou a entrar na cabeça das pessoas e toda a gente, amedrontada, fechava-se em casa antes de escurecer. Mas um dia, fartas de viver naquele desassossego, juntaram-se para descobrir a verdade sobre o monstro. Resolveram invadir o bosque, e levaram consigo armas e tudo o que se lembraram.
Depararam-se com um velho solitário, a quem a amargura da vida tinha marcado o coração. Tinha umas longas barbas brancas e o seu cabelo era comprido, o que impressionava bastante os habitantes da aldeia. O seu aspecto devia-se à sua vida no bosque, de onde nunca saía.
Os habitantes da aldeia, muito admirados, dirigiram-se ao velho e perguntaram-lhe se tinha visto o Sr. António. Este dirigiu-se à sua casa, acompanhado de alguns habitantes. Lá estava o merceeiro sentado em frente da fogueira a comer castanhas. A multidão, estupefacta e preocupada, perguntou ao Sr. António se estava bem, se tinha sido bem tratado e se conhecia aquele homem tão estranho. O desaparecido disse aos habitantes que o conhecia desde criança. Contou-lhes que tinha passado uma vida difícil, levando-o a refugiar-se do Mundo e a viver em paz com a natureza. Esta diferente experiência de vida fê-lo adquirir grandes vivências e tornar-se num grande sábio.
Como estava a precisar de ajuda, o Sr. António procurou-o em busca de conselhos.
As pessoas da aldeia, bem mais calmas, pediram desculpa ao velho pela maneira agressiva como o tinham tratado. Este compreendeu-as e selaram esta nova amizade, juntando-se todos à mesa comendo castanhas.
A partir desse dia, o velho deixou de ter uma vida solitária. Passou a ser frequentemente visitado pelos habitantes da aldeia, quando estes precisavam de conselhos.

Ana Rita Baptista, Catarina Branco, Daniel Lopes, Diogo Guedes, Gonçalo Reis e João Esteves

domingo, 10 de setembro de 2006

Cada sujeito com o seu defeito

Guilherme era um rapaz bonito! Tinha um rosto arredondado, de onde sobressaíam dois olhos verdes claros, um nariz bem proporcionado e uma boca muito engraçada, com uns lábios carnudos semi-avermelhados. Tinha uns dentes brancos e perfeitos. O cabelo comprido e solto acompanhava o movimento do rosto. Usava-o um pouco despenteado, o que lhe dava um aspecto gracioso. Era alto e muito elegante.
Guilherme tinha doze anos e vivia com os pais, Francisco e Maria, e com a sua irmã, mais velha, Beatriz. Era uma família pobre mas muito honesta, que vivia numa aldeia rodeada por uma vasta floresta.
Apesar da sua família ser bastante feliz, simpática e sempre disponível para ajudar os outros, aceitando o que a vida lhe ia oferecendo, Guilherme parecia não querer ser como os seus. Queria ter uma vida muito melhor e, por isso, andava sempre revoltado e apenas sorria quando lhe ofereciam dinheiro! Era um rapaz complicado! Gostava de tudo à sua maneira e, quando isso não acontecia, revoltava-se e ia refugiar-se na floresta, onde tinha o seu ninho, lugar que conhecia há anos e onde gostava de estar isolado de tudo e de todos.
Todos os dias ia para a escola a pé e sozinho. Aí sentia-se ainda mais revoltado, porque os seus colegas tinham possibilidades para comprar roupa nova e de marca, enquanto que ele era obrigado a vestir roupa que lhe ficava curta. Ainda por cima, velha! Chegava sempre a casa triste e desejoso por uma vida melhor e rica.
Os dias foram passando até que chegou o dia do seu aniversário. Guilherme pensava que os pais lhe iam oferecer o que sempre quis, dinheiro, mas enganou-se. Como ele passava horas na floresta, os pais acharam engraçado dar-lhe uma caixinha com material de orientação que tinha um mapa da aldeia e da floresta. Guilherme reconheceu esta caixa, era do seu pai! Com os olhos já encharcados e cada vez mais furioso gritou:
- Vocês só podem estar a gozar comigo! Nem no dia mais importante da minha vida me dão o que realmente quero! Também nunca fizeram nada para realmente o ter! Ainda por cima têm a lata de me dar um material velho?!? Só eu para nascer na família errada!!! ODEIO-VOS!!!
Enquanto dizia isto, rasgou o mapa e atirou o resto das coisas para o chão, com tal violência que a maior parte se partiu. Quando terminou de dizer o que sentia desatou a correr para o seu refúgio, a floresta. As lágrimas caíam-lhe dos olhos em torrente! No meio daquele desespero correu, correu, sem saber para onde…! Quando finalmente se acalmou, passado muito tempo, reparou que o lugar onde se encontrava lhe era desconhecido! Assustado, recomeçou a correr, sentindo-se cada vez mais perdido.
Em casa, os pais e a irmã estavam bastante preocupados com a demorada ausência do Guilherme e, com a ajuda dos vizinhos, resolveram ir procurá-lo.
Guilherme, entretanto, estava aterrorizado. Ouvia barulhos esquisitos mas só via um número infindável de árvores e sombras. Encostado a uma pedra, soluçava sem parar!
Já tinham passado muitas horas e, quando o medo e o desespero começavam a ser incontroláveis, Guilherme ouviu passos. De repente, por trás de uma luz forte que o cegava, viu a expressão de alegria de sua mãe, decerto por finalmente o ter encontrado! Nunca na vida se tinha sentido tão feliz!!!!
Guilherme passou a dar mais importância à família e aos amigos, pois aprendera uma grande lição…!

Alfredo Pires, César Nunes, Isabel Abreu, Ivo Rocha, Joana Guedes e João Ribeiro.