domingo, 10 de setembro de 2006

Cada sujeito com o seu defeito

Guilherme era um rapaz bonito! Tinha um rosto arredondado, de onde sobressaíam dois olhos verdes claros, um nariz bem proporcionado e uma boca muito engraçada, com uns lábios carnudos semi-avermelhados. Tinha uns dentes brancos e perfeitos. O cabelo comprido e solto acompanhava o movimento do rosto. Usava-o um pouco despenteado, o que lhe dava um aspecto gracioso. Era alto e muito elegante.
Guilherme tinha doze anos e vivia com os pais, Francisco e Maria, e com a sua irmã, mais velha, Beatriz. Era uma família pobre mas muito honesta, que vivia numa aldeia rodeada por uma vasta floresta.
Apesar da sua família ser bastante feliz, simpática e sempre disponível para ajudar os outros, aceitando o que a vida lhe ia oferecendo, Guilherme parecia não querer ser como os seus. Queria ter uma vida muito melhor e, por isso, andava sempre revoltado e apenas sorria quando lhe ofereciam dinheiro! Era um rapaz complicado! Gostava de tudo à sua maneira e, quando isso não acontecia, revoltava-se e ia refugiar-se na floresta, onde tinha o seu ninho, lugar que conhecia há anos e onde gostava de estar isolado de tudo e de todos.
Todos os dias ia para a escola a pé e sozinho. Aí sentia-se ainda mais revoltado, porque os seus colegas tinham possibilidades para comprar roupa nova e de marca, enquanto que ele era obrigado a vestir roupa que lhe ficava curta. Ainda por cima, velha! Chegava sempre a casa triste e desejoso por uma vida melhor e rica.
Os dias foram passando até que chegou o dia do seu aniversário. Guilherme pensava que os pais lhe iam oferecer o que sempre quis, dinheiro, mas enganou-se. Como ele passava horas na floresta, os pais acharam engraçado dar-lhe uma caixinha com material de orientação que tinha um mapa da aldeia e da floresta. Guilherme reconheceu esta caixa, era do seu pai! Com os olhos já encharcados e cada vez mais furioso gritou:
- Vocês só podem estar a gozar comigo! Nem no dia mais importante da minha vida me dão o que realmente quero! Também nunca fizeram nada para realmente o ter! Ainda por cima têm a lata de me dar um material velho?!? Só eu para nascer na família errada!!! ODEIO-VOS!!!
Enquanto dizia isto, rasgou o mapa e atirou o resto das coisas para o chão, com tal violência que a maior parte se partiu. Quando terminou de dizer o que sentia desatou a correr para o seu refúgio, a floresta. As lágrimas caíam-lhe dos olhos em torrente! No meio daquele desespero correu, correu, sem saber para onde…! Quando finalmente se acalmou, passado muito tempo, reparou que o lugar onde se encontrava lhe era desconhecido! Assustado, recomeçou a correr, sentindo-se cada vez mais perdido.
Em casa, os pais e a irmã estavam bastante preocupados com a demorada ausência do Guilherme e, com a ajuda dos vizinhos, resolveram ir procurá-lo.
Guilherme, entretanto, estava aterrorizado. Ouvia barulhos esquisitos mas só via um número infindável de árvores e sombras. Encostado a uma pedra, soluçava sem parar!
Já tinham passado muitas horas e, quando o medo e o desespero começavam a ser incontroláveis, Guilherme ouviu passos. De repente, por trás de uma luz forte que o cegava, viu a expressão de alegria de sua mãe, decerto por finalmente o ter encontrado! Nunca na vida se tinha sentido tão feliz!!!!
Guilherme passou a dar mais importância à família e aos amigos, pois aprendera uma grande lição…!

Alfredo Pires, César Nunes, Isabel Abreu, Ivo Rocha, Joana Guedes e João Ribeiro.

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